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Um gajo deveras apaixonado pelo que faz. Jornalista, magro, pobre e feio. Tio da Carolina e da Gabriela, marido da Viviane. Repórter de esportes e motor, sãopaulino consciente, assessor de imprensa, fanático por automobilismo e esportes de aventura, e também freelancer, porque ninguém é de ferro.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Morte na pista


SÃO PAULO (...) - Cedo ou tarde, aconteceria. Automobilismo é dessas coisas, vez ou outra. Ontem, morreu um piloto num acidente horroroso na Stock Light. A gente ali, no autódromo, na sala de imprensa vendo e revendo as imagens, torcendo para que nada de tão grave tivesse acontecido com os pilotos envolvidos.
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Mas quando vimos alguns fotógrafos que estavam no local entrarem na sala de imprensa com os olhos vermelhos, o silêncio se abateu no autódromo. Um lugar barulhento, de gente falando alto, motores roncando, música, locutores. Tudo parou em Interlagos.
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Não consegui chorar. Toda vez que entro num autódromo para um fim de semana de trabalho, passa pela minha cabeça a possibilidade de alguém se machucar seriamente, ou até mesmo morrer. Ao passar pelo portão, todos os dias de um final de semana de corrida, faço a minha oração pra que haja uma disputa limpa e que ninguém se machuque, que as ambulâncias não precisem ser usadas.
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Mesmo tendo essa consciência, a morte choca. Rafael Sperafico só tinha 27 anos. Uma morte besta, uma batida que todo piloto teme. O choque em T, quando outro piloto atinge o carro de frente, num ângulo de 90 graus, é dos mais complicados. Carro de corrida não foi feito pra receber choque lateral. O outro piloto que bateu, Renato Russo, é parceiro. Bebemos umas (eu, cerveja; ele, guaraná) num bar em Santa Cruz do Sul e trocamos muita idéia. Também sofreu ferimentos, mas está fora de perigo, graças a Deus.
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A morte de alguém ali, no mesmo local em que você desempenha seu trabalho, baqueia. Faz você parar e pensar: "eu trabalho num negócio em que de vez em quando pessoas morrem". É assim mesmo. Pode-se morrer jogando futebol, apitando um jogo de tênis, caindo de um cavalo. Uma fatalidade estúpida, que poderia ter sido evitada, mas é como uma queda de avião: é um conjunto de fatores. Não há culpados. Há melhorias a serem feitas. Assim todos aprendemos.
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Que fique o luto e a lição, pois.

2 Comentários:

Blogger Diegovj disse...

Lamentável, mas o risco é inerente a essa paixão/profissão.

Belo texto.
Abs

1:08 PM  
Anonymous Ju Felippe disse...

Adorei o texto, quando estava lendo parecia que as imagens saltariam na minha frente.
São fatos que não podemos prever nem apagar de nossas memórias, fatos que chocam e trazem reflexões.
Na verdade a vida é um risco constante de morte! "as vezes é bom a gente parar e pensar sobre isso!
Não gostaria de estar lá naquele dia!

Bjs

1:55 PM  

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