Eu escrevo e te conto o que eu vi

Um blog sobre tudo e sobre nada.

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Local: São Paulo, SP, Brazil

Um gajo deveras apaixonado pelo que faz. Jornalista, magro, pobre e feio. Tio da Carolina e da Gabriela, marido da Viviane. Repórter de esportes e motor, sãopaulino consciente, assessor de imprensa, fanático por automobilismo e esportes de aventura, e também freelancer, porque ninguém é de ferro.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Longa e justificada ausência

SÃO PAULO (não há calor impune nesta cidade) - Foram cinco meses de ausência deste espaço. É muita coisa pra administrar, inspiração zero pra escrever. Tanto que nem terminei de narrar as aventuras dos três dias finais Rally dos Sertões - aí, por falta de tempo e de internet mesmo. Bom, bastante coisa aconteceu. O ritmo de trabalho foi bem doido, e com o Twitter fica mais fácil para registrar as impressões sobre algumas coisas, além das cagadas que acontecem comigo.
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Outra coisa, foi um certo instinto de preservação. Pois bem, quem lê este blog deste o início (de quando eu solteiro e ainda nem conhecia a minha Viviane, a Doce) acompanhou meus tempos de solteiro, de quando conheci a Viviane, de quando me mudei para São Paulo, de quando resolvemos casar, os preparativos, as viagens, etc.. Aí, depois do Sertões, eu dei uma parada.
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Mas o que aconteceu é a sequência do que acontece quando duas pessoas se conhecem, se amam e se casam: dia 5 chega mais uma mulher na minha vida, a Lorena.
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Acho que Deus sabe que tenho jeito com as mulheres, então resolveu me dar mais uma. A Carol e a Gabi ganham uma priminha, e se bobear já já teremos um time de handebol feminino na família Bernuci.
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A data inicial do parto era o dia 11. Legal. 11.02.20.11. Mas por outros motivos (tudo bem com mãe e bebê, fiquem tranquilos), o médico achou mais seguro adiantar o parto para o dia 5, que é o mesmo dia da minha avó materna. E mantém uma sequência: Lorena num dia 5 (de fevereiro), eu num dia 6 (de novembro) e Viviane num dia 7 (de janeiro).
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Enfim, depois que voltarmos para casa com a Lorena eu prometo contar mais neste espaço, as aventuras de agora um pai novo em folha.

terça-feira, agosto 24, 2010

Sertões - 7o dia

BALSAS-MA (bye, Jalapão) - Se chegar no Jalapão foi difícil, sair foi ainda mais complicado, porém recompensador. A noite na barraca foi tranquila. Às seis da manhã, todos já de pé para seguir viagem. Fomos novamente em comboio. Mas o detalhe desta vez é que não seria uma simples estrada de terra: seriam trilhas que nos anos anteriores serviram de especiais (trechos cronometrados) para os competidores no Rally dos Sertões.
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Nas três primeiras horas de viagem percorremos apenas 90 quilômetros sem fazer uma só parada. Havia trechos em descida em que todos tinham de descer das L200 para que o motorista passasse pelos obstáculos com tração 4x4 reduzida. O visual, no entanto, era fantástico. A poeira também era enorme, o que no rali chamamos de "talco": o vento não dispersa e fica aquela nuvem de areia no ar, dificultando muito a visão de quem vem atrás.
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Levamos seis horas e meia para chegar ao asfalto, já na divisa com o Maranhão. O guia oficial do rali nos orientava a voltar para Palmas na saída de São Félix, para então seguirmos até Balsas (passando pela balsa, inclusive, que ligava a cidade de Filadélfia a Carolina). Ignoramos e fomos bem no espírito 4x4. Levou mais tempo, mas menos do que seria indo por Palmas. Fora que a quilometragem percorrida foi BEM menor.
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Mais duas horas de meia de asfalto, chegamos a Balsas. Outro lugar bem quente, mas com um hotel honestíssimo e o melhor peixe que já comi na vida. Foi lá no Peixe & Cia, onde pedimos Filé de Surubim com molho scabeche (acho que é assim que se escreve), outro com molho de camarão, e outro à milanesa. Um melhor que o outro.
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Mas fomos dormir cedo - cinco homens no quarto. Imagina só os roncos dos mais gordos. Porque no dia seguinte a viagem a Teresina seria bem longa.

Sertões - 6o dia

SÃO FÉLIX DO TOCANTINS-TO (pintaram o diabo feio demais) - Mesmo não tendo tempo de postar nada após o quinto dia, vou continuar com a série como se nada tivesse acontecido. O quinto dia, para mim, não terminou. Tive que ir ao aeroporto para resolver todo o problema da mala. Ninguém da TAM sabia como ela havia chegado, nem ninguém da Pousada do Rio Quente - que havia mandado a dita cuja. Já passava da meia-noite quando, quase desistindo, perguntei ao funcionário da aérea: "não veio de TAM Cargo?".
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Tava lá.
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Voltei para o hotel (era longe pacas), jantei e fui para o meu quarto já era mais de uma da manhã. Hotel ótimo. Depois de um belo banho, não há nada como vestir a sua própria cueca depois de cinco dias. Mas já era mais de duas horas da manhã, e sairíamos às 4h para o Jalapão. Liguei o computador e optei por passar direto. Arrumei as malas, desci, tomei um cafezinho e lá fomos nós ver o dia amanhecer na estrada.
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Saímos em comboio. Dimas, nosso motorista, calculou errado uma referência e quase arrumou briga dizendo que o líder estava errado. No fim, voltamos atrás, fui navegando pela planilha e encontramos o resto da turma coisa de 40 quilômetros à frente. Uma rápida abastecida, porque dali em diante seriam 275 km em cinco horas e meia de viagem por estrada de terra.
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Menos da metade da caravana do rali passou por São Félix do Tocantins por se tratar de uma etapa maratona, em que os competidores não poderiam receber nenhum tipo de auxílio externo. Então não havia necessidade - e nem estrutura - para que as equipes se deslocassem até lá.
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O posto de gasolina logo na entrada tinha um mercadinho e um restaurante de chão de terra. E tinha um local, logo atrás, usado como pista de pouso para os aviões que faziam o monitoramento dos trechos. A cidade tem 1,2 mil habitantes e fica longe de tudo, perto da divisa do Tocantins com o Maranhão. Chegamos cedo, e como nas etapas anteriores eu não poderia entrevistar os pilotos na chegada porque isso poderia se caracterizar como auxílio externo, e na certa rolaria alguma punição.
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Sem nada a fazer, fomos ver o que a cidade oferecia. Primeiro, o Fervedouro, pequena lagoa, próxima do rio (que não lembro o nome), de água azul clara e forrada de areia por baixo. O curioso é que você não consegue alcançar o fundo - e não pela profundidade, é que alguma coisa no chão se encarrega de ficar jogando seu corpo para cima. Sem fazer nada, você fica flutuando de pé na água. Sensacional.
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Depois fomos para a Cachoeira das Formigas, a uns 40 quilômetros do local de reabastecimento. Sempre por trilhas de terra. Lugar lindo. Pequeno e simples, mas com uma bela cachoeira, água cristalina e convidando para um rápido mergulho. Perdi minha pulseira de fibra de carbono lá, mas foi o de menos. Para quem não ia tomar banho à noite, a cachoeira veio em ótima hora.
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Em São Félix não há hotel. "O Sheraton está lotado", brincávamos. A solução é alugar camas nas casas dos moradores. Mas à tarde descobrimos que teríamos barracas na quadra municipal. Depois do trabalho, do jantar, e da correria, um "banho" de lenço humedecido e cama (inflável!).
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Mas o Rally dos Sertões me ensinou: entrar no Jalapão é fácil. Difícil é sair.

domingo, agosto 15, 2010

Sertões - 5o dia

PALMAS-TO (dizem que deveria se chamar 'Vaias') - Quente. Muito quente. Quente pra cacete. Palmas é uma cidade enorme, dizem que planejada para 3 milhões de habitantes, mas que tem apenas 200 ou 300 mil. Avenidas largas, enormes, cheias (mas cheias MESMO) de rotatórias por todos os lados. Seria uma boa mesmo tirar umas duas milhões de pessoas de São Paulo e mandar pra cá.
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A novela da mala continua. Mas essa eu conto como terminou só na terça-feira, quando eu estiver em Balsas, no Maranhão. Porque antes vou para São Félix do Tocantins, na região do deserto do Jalapão, a mais temida pelos competidores do Rally dos Sertões - é a primeira de duas etapas em que os carros/motos/quadriciclos/caminhões não podem receber auxílio de fora, mas só dos próprios pilotos/navegadores.
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É a mais temida também pelos jornalistas. Não há hotel, não há pousada, e as barracas da organização já estão todas ocupadas. A solução é ir batendo de porta em porta no vilarejo e vendo se tem uma cama, um sofá, ou uma rede sobrando. E tem gente que empresta a própria cama (por 10 ou 20 reais) para passarmos a noite.
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A viagem vai ser longa. Seis horas de caminhonete para percorrer 280 quilômetros - exclusivamente por estradas de terra. Não há asfalto até o Jalapão. Vamos sair às 4h da manhã para chegar às 10h, antes do fechamento do trecho para a passagem dos competidores. Se chegar depois, vai penar debaixo do sol até escurecer - e o último caminhão passar.
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Não tem internet, o telefone pega mal. Vou me dar por contente se tiver energia elétrica.

Sertões - 4o dia

DIANÓPOLIS-TO (moro num lugar, numa casinha quem quente no sertão) - É, amigo. Começou o perrengue. E é disso que se trata o Rally dos Sertões. That's what it is all about. Viagem de 515 quilômetros entre Alto Paraíso de Goiás até Dianópolis, já no Tocantins. No caminho, fizemos uma rápida parada em Aurora do Tocantins, onde me disseram que estava o menor rio do mundo, o Rio Azuis.
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Bem escondido, o rio corre por 130 metros até encontrar outro. Depois vi que não é mais o menor; acharam um nos Estados Unidos que só corre por 61 metros, enfim. Mas o lugar é bem legal. E com o calor que estava, não teve como resistir: um rápido mergulho para lavar a alma e voltar a encarar a estrada.
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Dianópolis é uma cidade pequena e quente. O local reservado para trabalharmos era um parque de exposições, que tinha um restaurante chamado "Hally dos Sertões". A internet era praticamente inexistente, e não fosse a ajuda da base em São Paulo, não tinha texto. Foi dose.
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Agora, a hospedagem. Ah, a hospedagem. A indicação era de que deveríamos ficar no Hotel Fazenda. No caminho, o André enviou mensagem pelo celular: "A pousada em Dianópolis é animal". Senti uma ironia ali. Bom, encontramos o Hotel Fazenda, que fica no centro da cidade.
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É nada mais que uma casa com vários quartinhos - alguns com banheiro, chão de cera vermelha, bem simplesinho e limpinho (embora teve gente falando que viu uma barata do tamanho de um skate), onde dormi minha melhor noite até agora. Mas o engraçado foi ver a reação dos outros jornalistas chegando ao local.
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A caminhonete com uma turma passou, me viu ali na frente e ficaram com aquela cara de pena (ou de "haha, se fodeu!"). Dali a pouco, passam de novo pelo outro lado da avenida. Aí se iniciou o diálogo:
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- É aqui mesmo!
- Não é não. É um hotel fazenda!, bradou a repórter da Rádio Bandeirantes, para meu júbilo de repetir mais incisivamente - e claro, rindo uma barbaridade.
- É AQUI MESMO!!
- Ai meu Deus!
- Bem-vinda ao Rally dos Sertões! (todo empolgado)
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Ela entrou no quarto dela. E chorou.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Sertões - 3o dia

ALTO PARAÍSO-GO (a mesma cueca) - Primeiro, voltemos ao imbróglio da mala que ainda não chegou. Enfiaram-na em um avião. Acharam que esse avião ia para Brasília. Nisso, ontem à noite, recebi no meu quarto de hotel em Unaí (MG) três camisas polo e duas bermudas da Pousada, com a promessa de que eu teria minha mala de volta hoje. Aí, já na sala de imprensa aqui de Alto Paraíso eu recebi uma ligação e soube da história.
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A mala foi para São Paulo. O dono do avião, ao sair, viu que não era dele, e mandou de volta para Goiânia. Agora um representante irá buscá-la lá amanhã e vai me entregar em Palmas (TO) no domingo. E foi aí que eu vi o que é o Rally dos Sertões. A turma é demais. Ganhei três cuecas e dois pares de meia, e comprei uma blusa, porque nesta cidade faz um puta frio à noite.
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A viagem até aqui foi tranquila, e passamos pelo Vale da Lua e a Chapada dos Veadeiros. Proure por Alto Paraíso no Google e você vai ver que é uma cidade de oito mil habitantes - muitos hippies - e uma vocação para aeroporto de ovnis. Só tem doido aqui. É praticamente (acho que até mais do que) uma São Tomé das Letras goiana.
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Mas a cidade é super ajeitadinha, poucos, pequenos mas ótimos restaurantes, pousada aconchegante, e trocentas cachoeiras. Amanhã vamos para Dianópolis (TO), onde deveremos passar pelo Rio Azuis, que é (ou era, não deu pra entender direito) considerado o menor rio do mundo.
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Amanhã eu escrevo e te conto o que eu vi.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Sertões - 2o dia

UNAÍ-MG (um pouco mais de sombra, pelo menos) - Acordei às 6h40, o que no Sertões é um luxo. O horário de saída estava marcado para as 7h30, então às 7h desci na recepção com a minha mala e a de um colega que faz o rali por via aérea. Deixei em uma sala reservada para isso e fui para o café da manhã.
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- O café da manhã é a partir das sete e meia, senhor.
- Você está de brincadeira.
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Em que hotel no mundo o café começa tão tarde? NEM NA BAHIA! E mexeu com meu estômago, amigo, fodeu. Vai ter consequência e vou ser deselegante. Sorte que a Globo estava comigo. Rá. Pressionamos e conseguimos abrir a bagaça uns quinze minutos antes.
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Panças cheias, vamos carregar a L200. Mas... cadê minhas malas?
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Algum infeliz do hotel botou minhas malas com um outro monte numa van que ia para o aeroporto. O lado positivo: as malas iriam chegar a Unaí (MG) bem antes que eu. O lado ruim: como eu vou achar esse raio de mala depois?
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Fomos pelos 445 quilômetros guiados por Dimas. Eu, Rafael Lopes e desta vez a Zahri, uma cearense doida que escreve para vários veículos, entre eles o Diário do Nordeste. Gente finíssima. No trajeto havia muitas estradas de terra, e devo dizer que fiquei impressionado com um trecho em que a poeira era tanta que não se enxergava um caralho à sua frente.
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Mapa na mão, fomos andando. Foi uma viagem curiosa, porque pela estrada, saíamos de Goiás, entrávamos no Distrito Federal por apenas alguns quilômetros, depois éramos colocados de volta em Goiás para então, também dali a poucos quilômetros, entrar no estado de Minas Gerais.
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O almoço foi tipicamente mineiro - ainda dá pra confiar no que se come. Lá pra cima é que a coisa complica. O trabalho correu tudo bem, tudo certo.
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Voltando à mala, ao chegar no hotel para o check-in, soube que as ditas cujas estavam lá. Mas alguém saiu distribuindo a esmo nos quartos reservados pela organização. E, claro, no meu quarto é que elas não estavam.
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Bom, chega por hoje.

Sertões - 1o dia

CALDAS NOVAS-GO (Mais quente que a água) - Depois dos cinco dias de trabalho intensos em Goiânia, que incluíram um expediente que foi das oito da manhã às três da madrugada, na quarta-feira foi dia de acordar cedo e pegar a estrada rumo a Caldas Novas (GO). Trajeto curto e rápido: 203 quilômetros. Na L200 pilotada pelo Dimas vamos eu, Rafael Lopes, do Globo.com, e Fernando Silva, Grande Prêmio.
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Apesar do sono e das poucas horas dormidas, a viagem foi animada. Fomos para a parte final da especial (que é o trecho cronometrado), onde tirei umas fotos e comi um bom tanto de poeira. Nos perdemos um pouco para chegar à sala de imprensa em Caldas Novas. E lá começou a correria: entrevistar pilotos, escrever textos, acompanhar entrevistas, mandar material para a base em São Paulo, enfim, aquele corre-corre.
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A hospedagem ia começar bem: Pousada do Rio Quente, dentro do resort. Aí sim. Ainda assim, lá dentro, trampo, correria, para só parar após o briefing dos pilotos. Aí, organizaram um luau pra receber a gente. Um belo jantar, cerveja de graça e uma banda mandando ver no rock'n roll.
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Mas fui aproveitar meu aposento um tanto cedo, às 23 horas, morto por ter tido apenas três horas de sono no dia anterior. Para acordar às 6h30 - o que no Sertões é ainda considerado um luxo.
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Fotos? Só depois do rali, criançada.

terça-feira, agosto 03, 2010

Vamo pro Sertão

SÃO PAULO (sim, sim, salabim!) - É, de fato, este blog anda meio abandonado. Mas estou de volta. Da viagem dos posts anteriores, isso já faz tempo. Mas agora me preparo para outra aventura. Nem terminei de contar as histórias da Espanha, como foi a volta, enfim, isso eu conto no próximo post. Porque já chegaram os uniformes, a passagem já foi emitida, hoje mesmo vou raspar a cabeça (já explico o porquê), e o trampo está uma correria danada.
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Depois de um ano de espera, finalmente vou fazer o Rally Internacional dos Sertões. Quase cinco mil quilômetros entre Goiânia e Fortaleza, com direito a uma noite no deserto do Jalapão, no Tocantins. Poeira, calor e o fato de que não sabemos se iremos encontrar ou não um chuveiro no próximo destino - ou se será um chuveiro gelado, ou conta-gotas, enfim (pronto, raspagem de cabeça justificada, que aqui chamados de "Corte do Sertão").
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Uma aventura que há muito tempo eu desejava fazer. Mais até do que o Rally Dakar, pra ser bem sincero. Porque no sertão você tem contato com gente, com os povos locais, gente simples que se empolga em ver aquele monte de carro e moto tudo colorido. É sensacional.
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Como assessoria oficial do evento, o trabalho vai ser longo e cansativo. Na medida do possível, vou tentar postar aqui o dia-a-dia do evento, com fotos e tudo mais. Vamos ver.
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Inté.

sábado, junho 26, 2010

Espanha (2)

VALÊNCIA, ESPANHA, 24 de junho de 2010.
(A primeira a gente nunca esquece)
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Quando soube que iria à Suécia, a primeira coisa que fiz foi checar o calendário da Fórmula 1 para ver se haveria corrida na Europa em uma data próxima. E tinha: 27 de junho, GP da Europa, no circuito de rua de Valência, na Espanha. Com as folgas programadas e uma credencial conseguida com a Virgin, equipe pela qual corre o Lucas Di Grassi, para quem faço assessoria de imprensa, era só dar um jeito de chegar. E consegui.
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Na manhã de quinta-feira, foi só encontrar o piloto no portão de estacionamento e pronto, entrei. No que me entregaram a credencial - minha primeira para um Grande Prêmio de Fórmula 1 - fiz esta foto acima. Para a posteridade. Eu só não podia mostrar o sorriso, senão seria mico no meio de tanta gente por ali. Até tirei a foto meio disfarçado, mas por dentro eu pulava.
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O motorhome da Virgin é um dos mais acanhados (não tem ar condicionado, mas tem ventiladores e uma deliciosa brisa vinda do Mediterrâneo, bem de frente), mas a comida é boa. Fui bem recebido e está sendo uma experiência valiosíssima.
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Espero que este seja o primeiro de muitos.

Espanha (1)

VALÊNCIA, ESPANHA, 23 de junho de 2010.
(Viagem interminável)
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A noite anterior foi de arrumação de malas para ir à Espanha. Voando de companhia de baixo custo, se você despacha mala, paga o dobro do valor. Então, o negócio era fazer caber um laptop e roupas para quatro dias em uma mochila e fazê-la pesar apenas dez quilos. Um desafio e tanto. Bom, coube tudo.
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O dia começou bem cedo, às 7 horas. Um rápido café e uma caminhada de mais ou menos um quilômetro pela bela cidadezinha de Chatou (com uma mochila de dez quilos nas costas), rumo à estação RER A (a CPTM de Paris). Uns 20 minutos, e desço na estação Charles de Gaulle-Ètoile (lê-se "Charle de Gôle-Etoale"), para pegar o metrô rumo a Port Maillot.
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Dez minutinhos, pimba. Cheguei. De lá, vou até um local onde paguei 15 euros para que um ônibus me levasse até Beauvais (lê-se "Bové"). Viagenzinha longa: uma hora de bumba (como que ir de São Paulo a Campinas) para chegar no aeroporto onde as companhias Low Cost operam.
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E no avião é uma zona. Não há assentos demarcados - e nem reclináveis. Paguei 5 euros pelo que pensei ser uma pizza - era nada mais que uma bruschetta um pouco maior, e de pepperone. O vôo atrasou uma hora pra sair, o que começou a me deixar preocupado.
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Decolou, beleza. Fiquei no corredor e caí na besteira de tomar um suco de laranja. Suco de laranja na Europa é a maior fria. É horrível. Acho que fazem o suco só com a casca da laranja, e você fica com aquele gostinho de cangambá no céu da boca. Suco de ressaca.
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Cheguei em Madri - não sem antes enfrentar uma bela turbulência na parte final do vôo, o que estranhei, porque estava, como dizem os pilotos, um céu de brigadeiro - e tinha que ir para a rodoviária, onde eu pegaria o ônibus para Valência - mais quatro horinhas de viagem.
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Fui pesquisar. De metrô, custava 3 euros, mas levava 40 minutos. De táxi, levava 10, mas custava 30 euros. Uma outra empresa dentro do aeroporto levava de van por 20 euros, nos mesmos dez minutos. E como eu tinha que chegar à rodoviária em no máximo meia hora, foi a minha opção.
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Cheguei somente a tempo de comprar uma garrafa d'água e embarcar. Às 21h10, já estava em Valência, fora do ônibus. Mais 10 euros e um táxi me levou até a região do circuito que neste final de semana recebe a Fórmula 1. Fui até a praia, comi uma bela pizza de 12 euros de frente pro Mediterrâneo, achei um albergue por 48 euros a noite com internet grátis (e das boas!) e lá passei a noite.
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Foi o dia em que acordei no horário europeu e fui dormir no brasileiro... Punk.
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Mas tudo vale a pena, quando a alma não é pequena, dizia o poeta.