Eu escrevo e te conto o que eu vi

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Um gajo deveras apaixonado pelo que faz. Jornalista, magro, pobre e feio. Tio da Carolina e da Gabriela, marido da Viviane. Repórter de esportes e motor, sãopaulino consciente, assessor de imprensa, fanático por automobilismo e esportes de aventura, e também freelancer, porque ninguém é de ferro.

quarta-feira, maio 10, 2006

Não levanta-te

AMERICANA (gira mondo, gira) - Textinho que não é meu, mas bem que poderia ser. Esse cara, Fabrício Carpinejar, me mata de inveja do que ele escreve. Fera demais. Ele põe muita sensibilidade, muito tesão, detalhes. E me identifico com muito do que ele escreve. Ele coloca coisas na tela que nosso inconsciente não consegue expressar. E é essa a maior qualidade do escritor. Pago um pau pra ele. Para vosso deleite, segue um texto desse cara logo abaixo.

"Não suporto a idéia de homens que mal deixam o corpo da mulher e logo vão tomar banho, logo querem se afastar daquele ato e se desculpar da impetuosidade. Lavam a boca para escorrer ao longe as palavras e as frutas. Lavam as pernas da boca. Levantam como um ritual cumprido, um ofício, um trabalho, e desejam apagar o desejo. Eliminar os vestígios, os sinais, a saliva em seu corpo. Esfregam com o sabonete a língua, o gozo, os odores fortes de montanha.
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Esfregam-se de pudor. Fazem desaparecer o suor que os pássaros só encontram em sua plumagem depois do vôo. Desejam suavizar os arranhões e recuperar a aparência. Desejam sair bruscamente do quarto porque não suportam o prazer depois do prazer. O prazer depois do prazer é levitação, é feminino.
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Que não se deitam mais para recomeçar, que não dormem agarrados com a nudez dela a completar os seus músculos, que não preparam uma fogueira com as unhas nos cabelos dela, que não suspiram após gemer. Que não ficam a conversar sobre as distrações da infância, a conversar à toa sobre os planetas que não foram descobertos, a rir dos vaga-lumes histéricos fora de casa. Que não afundam a respiração nas cobertas e nos travesseiros, que não inspiram o vinho antes de beber.
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Que desertam no momento em que encontraram um sentido. Que se arrependem de seus instintos e colhem as calças, as meias, a camisa e o medo do chão. Não suporto homens que não tomam o cheiro de sua mulher como seu próprio cheiro. Que repelem a permanência, a toada, a constância, que se irritam com uma intimidade que não seja movimento e sexo. Que se lavam como se tivesse pecado e se apressam em reconstruir as frases.
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Que não se inclinam para beijar de novo e descobrir uma porção invisível da boca no rosto. Que trocam o corpo imediatamente como quem troca lençóis, trocam o corpo como quem troca de roupa, trocam o corpo como quem troca de rua. Que ajeitam a cena e procuram as horas e as chamadas não atendidas no celular.
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Que se vêem culpados pela masculinidade, por revelar suas fraquezas. Que encurtam os braços nas portas e desistem de esculpir o pêlo nas curvas. Que são outros, frios e indiferentes, ao deixar a cama.
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Eu não me sinto sujo depois do sexo. Eu me sinto limpo, eu me sinto perfumado, eu me sinto enredado de nascimento. E não darei tão cedo minha memória para a água."
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Fantástico, não?

7 Comentários:

Anonymous Lisóka disse...

M A R A V I L H O S O ! !

8:22 AM  
Blogger Giselle Hoffmann disse...

Sensasional!!
se um dia esbarrar nesse cara, eu digo SIM, de cara, de atropelo, e seja lá oq Deus quiser! hahaha

beijos...

10:00 AM  
Blogger Giselle Hoffmann disse...

opsss
sensacional!
sorry!

10:01 AM  
Anonymous Vivi disse...

Sem mais palavras... P-E-R-F-E-I-T-O!!
Bjsss!

9:22 AM  
Anonymous Anônimo disse...

Great site lots of usefull infomation here.
»

6:51 AM  
Anonymous Anônimo disse...

Super color scheme, I like it! Good job. Go on.
»

6:53 AM  
Anonymous Anônimo disse...

ca-ra-ca.
sem palavras, muito bem escrito.

rodrigo

9:27 AM  

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