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Um gajo deveras apaixonado pelo que faz. Jornalista, magro, pobre e feio. Tio da Carolina e da Gabriela, marido da Viviane. Repórter de esportes e motor, sãopaulino consciente, assessor de imprensa, fanático por automobilismo e esportes de aventura, e também freelancer, porque ninguém é de ferro.

quinta-feira, junho 01, 2006

Por enquanto - II

AMERICANA (será mesmo?) - Como a maioria sabe, namorei por oito longos (e ótimos) anos. Dos 14 aos 22. E é aí que a negada se espanta comigo. E sempre ouço: "você perdeu a melhor época, de zuar, sair com os amigos, de beijar as menininhas". Não sabe nada quem diz isso.
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Pra começo de conversa, não perdi tempo nenhum. Pelo contrário, eu ganhei. Cresci com uma pessoa maravilhosa do meu lado, que me fez homem. Que posou do meu lado nas fotos de formatura da oitava série, do terceiro colegial e até da faculdade. Aprendi muito, aprendi e desaprendi a amar (porque ninguém sabe). Virei gente.
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Não deu certo. Paciência. Tem gente que, depois de 25, 30 anos de casada, se separa. Assim é a vida. Mas eu não perdi tempo algum. Eu ganhei vida nesses oito anos. Ganhei paciência, ganhei coragem, perdi a timidez e passei a me comunicar. Perdi o medo de me expressar. E o que era pra ser a minha adolescência, foi uma vida adulta. E agora, o que era pra ser uma vida adulta, é uma vida adolescente, de paixões frívolas, efêmeras, algumas duradouras, outras que serviram para firmar amizades incríveis.
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Claro que adolescência aos 14 é uma coisa, e aos 24 é outra completamente distinta. Aproveito a vida, viajo, saio, bebo. A diferença é que gasto (e controlo) o meu próprio dinheiro, eu tenho um carro e sou habilitado para isso. Não tem que pedir pro pai buscar na balada, não tem que pedir pro pai dar dinheiro (faz tempo que não sei o que é isso). São coisas que a vida adulta te traz. Independência, maturidade. Solidão? Também, às vezes.
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Entretanto, acredito piamente que há fases da vida em que é imperativo ser feliz sozinho. Até porque condicionar a felicidade a estar acompanhado prenuncia um céu tempestuoso para os solteiros. Ser ou não ser? Ser solteiro é uma condição contemporânea.
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Contudo, não é porque estou sozinho que estou solitário. Ainda estou colocando muita coisa no lugar, testando a consciência cada vez que descanso o lombo no colchão e boto a cabeça no travesseiro. A gente adquire outro olhar das coisas e das pessoas. A gente vê mais profundamente, entende melhor as pessoas, as razões, e julga menos. Às vezes escapa, porque é da nossa personalidade, da nossa natureza, seja você escorpiano ou não. Mas se a gente julga, não é por mal, é para que a pessoa em questão te esclareça tudo, e também para que reveja suas atitudes não pelo que elas são, mas pelo que elas representaram.
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E quanto você chega a um lugar e está todo mundo acompanhado, você é reprovado por aquele olhar de "ainda não?". Ainda não casou? Ainda não arrumou namorada? Já fiquei bem apavorado por causa disso, de ser estigmatizado. Agora não. Andamos mais senhores dos nossos silêncios, dos nossos pensamentos, das nossas panelas, dos nossos cafés, das voltas sozinho de carro ouvindo música e indo a lugar nenhum, do lanche sozinho no shopping. E não é ruim. Estar sozinho não significa sentir-se só.
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Te olham como se amadurecer fosse estar em uma relação estável. Nem sempre, nem sempre.
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Mas amar é otimo, sim, claro. Quem não quer? Eu quero. Segurar a mão suada no verão, a mão gelada no inverno, uma viagem surpresa, um restaurante longe do seu ciruito normal, em outra cidade, quem sabe, um fim de semana a sós em uma cidadezinha pacata e bontinha, beijar a testa num momento de ternura, ajeitar o cabelo que cai na testa, trocar olhares cúmplices, dar risada, ser bom amigo, ser fiel, ser compreensivo, ser honesto e sincero, segurar a raiva, o ciúme, e acima de tudo, respeitar.
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E enquanto eu não tiver vontade de fazer isso tudo com alguém, prefiro ficar sozinho. Porque estar acompanhado e sentir-se sozinho, aí sim, é péssimo.
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4 Comentários:

Anonymous Vivi disse...

Bah, concordo plenamente com esse teu texto! Será que os seisnovembrianos podem ser tão parecidos assim??? ahahhahaha! Acho que sim, né? Penso do mesmo jeito que tu! Eu tinha o maior preconceito de ir sozinha ao cinema! Imagina, todo mundo acompanhado mesmo que de um amigo e eu aqui sozinha?? Não pode! Mas uma vez fui bem faceira e sozinha! Achei o máximo! A única coisa que ainda não me acostumei é não ter com quem comentar o filme qdo acaba! ahahahha! Faz parte...
É brabo estar com alguém só pra satisfazer os outros que precisam te ver acompanhado. Principalmente namorar! Tem coisa melhor do que tu namorar aquela pessoa que te deixa nas nuvens, que te faz acordar e dormir pensando nela, em querer estar juntinho sempre, que te liga só pra dar um boa noite?? Não, né? E namorar por namorar é muito pior do que estar sozinho! A gente tem que fazer tudo a seu tempo. Tem fases que o melhor e se curtir!! Enquanto tu estiver bem assim, aproveita! Assim que tem que ser! Se tu não estiver TE curtindo, como vai namorar alguém, né?
Beijão, te adoro!!
PS: 8 anos namorando te deram experiências que com certeza a maioria dos teus amigos não tiveram. Ganha-se por um lado e perde-se por outro. Mas acho que o balanço foi positivo!!

12:06 PM  
Anonymous Lu de Luca disse...

Bom meu querido amigo grande...concordo com vc inteiramente em seu texto. É igual ao texto que vc me mandou que era uma versão masculina da minha vida. As pessoas tem mania de criticar e dar palpite na vida dos outros....mas só quem sabe da nossa vida é a gente mesmo...

beijocas amigão...
Lu

8:55 AM  
Anonymous Ana disse...

Namorar é preciso... eu diria. Tem coisas na vida que a gente só aprende quando tem uma companhia do seu lado, mas não qualquer companhia, mas sim aquela que sabe exatamente o que você está pensando só de te olhar, aquela que não te oferece aquilo que você não vai comer, mas que guarda o restinho do refrigerante sem gás porque sabe que você vai querer... esse tipo de companhia deixa uma saudade imensa quando se vai. Muita gente acha que começar a namorar cedo é uma perda de tempo, desperdício de vida, mas tenho certeza que não. Desperdício é perder a chance de ser feliz porque os outros acham que é cedo demais. Afinal, é isso que conta: ser feliz, sozinho ou acompanhado.
Às vezes, mesmo os longos namoros não dão certo... mas a gente nunca sabe,né? A vida dá tantas voltas... o amor é uma coisa tão complicada. Mas acredito que o destino leva você exatamente para onde tem que ir, quando tem que ir. Enquanto você não acha a placa que indica esse caminho, vai curtindo a segunda adolescência... qualquer hora você pode tropeçar na sua alma-gêmea.
Beijos

8:15 AM  
Anonymous lucas disse...

suas palavras denotam maturidade que poucos têm na sua idade.
apesar do verso clichê, tudo vale a pena.

2:32 PM  

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