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Um gajo deveras apaixonado pelo que faz. Jornalista, magro, pobre e feio. Tio da Carolina e da Gabriela, marido da Viviane. Repórter de esportes e motor, sãopaulino consciente, assessor de imprensa, fanático por automobilismo e esportes de aventura, e também freelancer, porque ninguém é de ferro.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Rádio só tem um ouvinte

AMERICANA (com meu ouvido coladinho no radinho) - Rádio é um negócio espetacular. Já trabalhei nesse veículo, mais dinâmico que redação de jornal diário. É a fonte de todas as pautas, eles furam o mundo. De vez em quando, cai um idiota que não manja nada e quer dar pitaco. Dar não, impor. Rádio paga mal, o que eu acho um absurdo, porque o patrão ganha igual tanto no rádio quanto no jornal (olha, até rimou). O diálogo que segue abaixo é baseado em fatos reais e foi extraído da coluna do jornalista José Paulo Lanyi, no portal Comunique-se. E segue o texto:
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Profissional 1 (editor-chefe de um novo programa de rádio e oriundo da TV):
-Olha, muda aí, “você vai ouvir” pra “vocês vão ouvir”.
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Profissional 2 (especialista em rádio):
-Mudar pra quê?
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Profissional 1:
-Muda, a gente tá falando pra várias pessoas.
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Profissional 2:
-Claro, eu sei, mas em rádio não se usa plural pro ouvinte, isso é básico.
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Profissional 1:
-Em TV a gente usa os dois, singular e plural. Qual é o problema?
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Profissional 2:
-Bicho, rádio é “eu e você”. Não tem essa história de falar pra um monte de gente.
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Profissional 1:
-Como não? Tá louco?
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Profissional 2:
- Meu amigo, você já viu alguém dizer: “Bom, pessoal, é hora de ouvir rádio!” ou “Vamos todos ouvir rádio agora”? Isso não existe!
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Profissional 1:
-Já ouvi, sim.
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Profissional 2:
-Quando?
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Profissional 1:
-Na hora do futebol.
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Profissional 2:
-Isso é exceção, eu falo de programa. Imagina a cena. Todo mundo na sala, batendo papo, de repente um cara diz: “Fulana, pega o rádio, vamos lá no quarto ouvir o programa do Bolota Júnior”.
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Profissional 1(rindo):
-Bolota Júnior?
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Profissional 2 (diverte-se):
-É, Bolota Júnior, nome fictício. Um amigo meu usou na novela dele.
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Profissional 1:
- Sei... E aí?
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Profissional 2:
-Ninguém faz isso, bicho, ninguém convida ninguém pra ouvir rádio hoje em dia.
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Profissional 1:
- Ah, mas nos confins do Brasil...
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Profissional 2:
- Nos confins do Brasil é televisão, meu amigo! Televisão. Nego não tem grana pra comprar comida, não tem banheiro, mas tem televisão. Tem rádio também, mas esse não é o ponto, não tem isso de convidar pra ouvir. Se acontece é raro, é exceção, e exceção não conta.
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Profissional 1:
- Tudo isso por causa de um plural.
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Profissional 2:
- Pra você é bobagem porque não conhece o veículo, desculpa a sinceridade. O cara que ouve rádio ouve sozinho, no carro, na cozinha, o cara tá sempre fazendo outra coisa. O rádio é o companheiro, é a outra ponta do diálogo, entendeu? O ouvinte tá na rua, no trabalho, no raio-que-o-parta, tá sempre ocupado, você tem que chamar a atenção dele, o cara não pára só pra ouvir. (ironiza) Bom, só na hora da oração da Ave-Maria, né. Aí, sim, o cara pára tudo. Mas sozinho. Não é missa, é falar com a santa, entendeu?
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Profissional 1:
-Tá legal, deixa no singular mesmo.
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Profissional 2:
-Beleza.
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Profissional 1:
-Me diga uma coisa.
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Profissional 2 (saindo):
-Fala.
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Profissional 1:
-Você ouve a Ave-Maria?
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Profissional 2 (bem-humorado):
- Às vezes...
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Bom, deixa eu ir. Tá na hora da Ave-Maria.

1 Comentários:

Blogger Lili Cheveux de Feu disse...

Bacana, bacana... A propósito, eu já brinquei de rádio-atriz na rádio do seu jornal.

7:44 AM  

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