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Um gajo deveras apaixonado pelo que faz. Jornalista, magro, pobre e feio. Tio da Carolina e da Gabriela, marido da Viviane. Repórter de esportes e motor, sãopaulino consciente, assessor de imprensa, fanático por automobilismo e esportes de aventura, e também freelancer, porque ninguém é de ferro.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Bete, a feia

AMERICANA (é você se olhar no espelho e saber que é humano, ridículo, limitado e que só usa 10% da sua cabeça, animal) - Há pouco mais de uma semana, sou um cara que dorme na diagonal. Sim, agora sou um rapazinho que consegue caber em sua própria cama. A minha antiga estava já tirando carteira de motorista, 18 anos sustentando o corpo deste magricela que vos discursa, e deixando pés e braços de fora (e me derrubando de vez em quando, estrado maldito). Pois é, agora eu tenho uma cama de casal.
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Todo o jogo do quarto da minha mãe foi passado para o meu. Mas algo me incomoda. Cutuca, transforma em tormenta a quietude e a profundeza do lago que é o meu ser. Algo ali me deixa inquieto, me faz pensar "isso não está certo, isso não está legal". É uma senhora feinha de tudo, coitada. Igualmente velha, como a minha cama de solteiro.
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Ela é esquisita, a Bete. Ela é baixinha, atracada, com os quadris abertos, pernas curtas, joelhos gordos e um olho (um só) enorme, oval. E fica me vigiando a noite toda, de frente para o meu sono. Causando verdadeiros sustos ao denunciar minha cara de perdido ao despertar. Aquele olhão oval, que explicita, joga na minha cara toda a feiura de um ser ao acordar, me incomoda. Às vezes, chego a pensar que aquele olho enorme irá me tragar para uma outra dimensão, aquele fundo que fica girando, como no clipe de "Groove is in the heart".
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Ela tem gavetas longas, mas rasas. E tem um banquinho de madeira, com as pernas tortas (à la Garrincha) e um estofadinho verde. Às vezes serve para que seja jogado sobre ele uma calça, uma camiseta. Mas a real finalidade dele é estar no caminho para acertar-me a canela. Havia um banquinho no meio do caminho; no meio do caminho, havia um banquinho.
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Contudo, quem me transtorna é a Bete, a feia. Eu não a uso para nada. Ela me usa. Ela me espanta, me assusta, ela estraga o meu dia e me faz sentir o mais cambaleante e perdido ser andante que desperta numa manhã preguiçosa. Ela é feia, ela é horrorosa. Eu não quero ela no meu quarto.
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Eu odeio aquela penteadeira.
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.Nota do Editor: A pedidos, intimações, boletins de ocorrência registrados no segundo ditrito policial de Santa Bárbara d'Oeste, ameaças de bomba e uma liminar expedida pela segunda vara de família da comarca barbarense, a penteadeira Bete, a feia, foi retirada do meu quarto. Contribuindo, assim, com o 'desfeiamento' do cômodo e a redução de taquicardias matinais deste pobre, magro e assustado escriba.

4 Comentários:

Anonymous Diego disse...

Quanta criatividade, hein?
Esse é o cara!

Parabéns mais uma vez...

Abs

8:21 AM  
Anonymous valandil disse...

cara,
havia tempo que não lia nada tão engraçado.
juro que dei muita risada olhando pro pc. melhor, lendo seu texto.
mto bom. parabéns!
hahahahaha

10:33 AM  
Blogger Dita Von Claire disse...

manda a bete, a feia, lá pra casinha dos jacarndás, entonces.
dona dita agadece.

2:54 PM  
Anonymous vivi disse...

Tira a Bete do quarto! hahahahhaa! Ainda mais se é feia! hehehe! Beijoss!

4:00 PM  

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