Eu escrevo e te conto o que eu vi

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Local: São Paulo, SP, Brazil

Um gajo deveras apaixonado pelo que faz. Jornalista, magro, pobre e feio. Tio da Carolina e da Gabriela, marido da Viviane. Repórter de esportes e motor, sãopaulino consciente, assessor de imprensa, fanático por automobilismo e esportes de aventura, e também freelancer, porque ninguém é de ferro.

sábado, setembro 02, 2006

Auto-ajuda barata

AMERICANA (e praquele que provar que tô mentindo, eu tiro o meu chapéu) - Duvide de crianças lindas que se tornaram adolescentes lindos e adultos lindos. Eles são - ou serão - uns crápulas. Desconfie de quem não sofria de estrabismo, de quem não era excessivamente magro, ou excessivamente gordo, ou não usava óculos enormes. De quem não era zuado na escola pelos coleguinhas, que não chamava atenção do sexo oposto, de quem era popular. Desconfie piamente.
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Quem não teve uma infância ou uma adolescência sem percalços, quem já nasceu belo e com tudo pronto, não vai buscar o algo mais. Não tem obstáculos a superar. Os problemas nos fazem fortes. E a vitória tem um sabor ainda melhor. Deus nos provém essas maravilhas.
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Acho que até os quatro anos eu era bonitinho. As fotos provam. Mas depois disso, virei um garotinho magro, cabeçudo, com um cabelo cortado 'tigelinha', tímido ao extremo e com uma fala muito, mas muito rápida. E, assim como nos filmes americanos de adolescentes, eu era o contrário dos 'populares': ruim em todos os esportes, não tinha conversa com as garotas e era amigo dos também esquisitos, como eu. Meu melhor amigo, Luciano, é dessa época.
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Ele era gordo e eu, magro. Bem gordo e bem magro. Imagine a dupla.
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O tempo passou, a gente agüentava a zuação dos outros. Cada um foi pra uma escola, mas continuamos muito amigos até hoje. A gente vivia pra arrumar argumentos contra as brincadeiras de mau gosto alheias. Éramos - e somos - ruins de bola. Nos mantinha vivos a vontade de superar tudo aquilo, de mostrar pros imbecis que sempre foram bonitos, bons no esporte, fortes e com "moral" entre as meninas, de que o tempo ia dizer o que viria. E disse. Crescemos, estudamos, eu ganhei peso e estou contente; meu amigo emagreceu 'na raça' e é um gajo belo e forte. Ambos estamos de bem com a vida. Ainda não é o que sonhamos, mas temos como se locomover, temos nossas namoradas e nossos empregos.
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A não ser os que aprenderam alguma coisa no caminho, que se tocaram, o restante assistiu a uma virada do destino. Tinha um cara na escola que eu odiava. Ele me zuava impiedosamente. Eu me sentia ridículo, o pior dos seres. Ele era bem maior que eu, bom no futebol, bom no basquete, uma anta nas notas (eu até que era bom, mas quem se importava com isso?), as meninas o rodeavam. Eu não. Tinha amigos de apelidos esquisitos - o meu também era um - falávamos de figurinhas, chicletes, carros e alguma coisa de futebol.
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Fiz faculdade, fiz cursos de línguas, viajei, conheci gente interessante, aprendi muito com a vida. Sofri, chorei, me amargurei, mas só tive lições boas da vida. Hoje, como na música "Ouro de Tolo", eu posso dizer tranqüilamente que "eu tenho um emprego, sou um dito cidadão respeitável" e ganho poucos mil cruzeiros por mês. Eu agradeço ao Senhor por ter finalmente tido sucesso na vida como jornalista eu estou feliz porque conseguir comprar um Golzinho 2003... Só parafraseando.
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E quem me zuava, que era o bonzão, o bonitão, o fortão, o tal? Não fez faculdade, repetiu de ano seguidas vezes, engravidou uma guria de quem ele não gosta, vive de relacionamentos sem conteúdo, com as "quaisquer", e faz bicos por aí. Não valoriza a si mesmo, que é o preceito número um para a felicidade.
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Daquela época, eu mantenho o apelido, os amigos, a fala acelerada, as ótimas lembranças e o par de óculos. E continuo em busca de algo a mais na minha vida. Não sou mais um esquisito. Sou é um doido, isso sim. E se fosse também, qual é o problema? Ter felicidade com o que se tem e o que se é. Eis a chave do sucesso.

4 Comentários:

Anonymous Victor Martins disse...

Só me restam as palmas: clap, clap, clap!

11:00 PM  
Anonymous valandil disse...

Viva Raul e sua criatividade em contar histórias maravilhosas!
forte abraço

10:54 AM  
Anonymous Anônimo disse...

que os deuses iluminem as cabeças alheias. todos deveriam perceber isso. aliás, "issoS". que os poderosos do passado viraram uns manés (na minha infância/escola foi igual) e que sua chave do sucesso é a correta. beijim...

4:04 PM  
Anonymous vivi disse...

Falou só coisas certas! Esse negócio de ser perfeitinho desde sempre, ter tudo e todos nas mãos pode não ser bom!
Os populares, lindos e sem cérebro do colégio hoje em dia só conservam a cabeça oca! Nem beleza nem popularidade possuem mais. Já os zuados na escola buscaram o "algo mais" mesmo... concordo contigo. O mundo dá voltas e o rostinho bonito não ajuda nessa corrida da vida. Hehe!
Beijos!

4:14 PM  

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